BALANÇO DA SEMANA CULTURAL



Nos dias 26-29 de abril, na semana em que se comemoraram os 48 anos do 25 de Abril e da democracia em Portugal, e ainda lembrando os 200 anos do Constitucionalismo Português, a Escola Secundária de Amarante desenvolveu um variado programa de atividades subordinado ao tema “Viver em Liberdade”.

Desse programa constaram iniciativas associadas ao pensamento, à arte, à ação política e mesmo à economia. Num espírito de trabalho colaborativo, conseguimos envolver diferentes grupos e valências/habilidades onde uns desenhavam, outros ensaiavam para as apresentações públicas, outros ainda selecionavam músicas, trabalhavam em laboratórios, sem esquecer os que exercitavam passos de dança...

Tudo isto foi possível na escola também devido ao inesquecível papel dos diferentes funcionários e de quem os dirige, na prontidão com que puseram equipamentos a funcionar, a requisitar e adquirir materiais e mesmo a estabelecer diferentes contactos.

Em toda esta dinâmica com espírito de Abril, o entusiasmo, o sonho e a esperança de concretização de valores da Liberdade estiveram presentes: como naquele tempo, os alunos aprenderem menos no espaço tradicional da sala de aula, e mais em vivências no espaço exterior, onde cada experiência constituiu uma aprendizagem que desejamos seja para a vida.

Foi bonito o registo da presença dos alunos em diferentes espaços e momentos e ainda de grupos do Projeto Erasmus+. Estes últimos, revelando surpresa e contentamento, foram assistindo a algumas atividades. Destacamos a manifestação simulada, onde, ao mesmo tempo que seguravam cravos vermelhos, foram interrogando e, surpresos, recebendo a informação relativa ao simbolismo dessa flor que, no contexto da revolução, substituiu as armas. Enriquecedor também foi ouvir entidades tão diversificadas: um político conceituado e figura pública, Marinho e Pinto, a falar dos valores dos regimes democráticos; uma representante da associação Oikos, a palestrar sobre o trabalho associado à solidariedade; ainda o testemunho de alguém que esteve na guerra colonial; também a participação e mostra de trabalhos de ex-alunos da escola em workshops de artes; a transmissão via tv de circuito interno de curtas de cinema e entrevistas em vídeos organizados pelos alunos; sempre a música revolucionária na rádio escola.

Foi uma roda-viva associada à alegria de ver o fotógrafo de serviço, o professor Files, de máquina empunhada, qual boa arma, desta vez a registar belos momentos, a ser chamado para captar a ação dos artistas, nossos alunos, no palco, do empunhar de bandeiras, cartazes e cravos, do político palestrante, das exposições de perfumes e minerais, enfim, de tudo que ia acontecendo.

Mas que roda-viva, mesmo… A melhor ordem nem sempre imperou, a melhor organização nem sempre foi plenamente conseguida, os contratempos surgiram, alguns até pelas contingências atmosféricas que dificultaram um grande momento – a manifestação, onde não convinha nada que chovesse, pois necessitávamos de palco no exterior. Naquela precisa meia hora, o céu resolveu lançar baldes de água impeditivos de movimentações. Mesmo assim, movimentámo-nos, pois fomos persistentes e expeditos.

Para nosso contentamento, completando a mensagem de Abril, tivemos o privilégio de assistir, desta vez, no dia seguinte, em palco exterior, a um momento sublime de arte a sério através da peça “A Marcha pela Liberdade”, de António Portela e dinamizada pelo grupo de teatro da escola, do qual aquele também faz parte. Existe um vídeo com esse registo, que vale a pena visualizar, pois quem sabe, sabe...

Podemos afirmar que aprendemos a contornar alguns obstáculos e aprendemos acima de tudo a fazer algo de diferente, onde o conceito de escola inclusiva procurou estar presente, com erros, falhas, mas acima de tudo com a convicção de que fizemos. E em Liberdade fazer é sempre sinónimo de aprender.

Os alunos gostaram bastante do programa da semana embora ainda não tenham sido realizados os inquéritos de avaliação de atividades. Com toda a certeza as respostas serão coincidentes com o afirmado, a julgar pelos comentários ouvidos da boca de muitos e especialmente a partir da observação do registo fotográfico dos variados momentos. E, como uma fotografia vale mais que mil palavras, é só disponibilizar uns minutos para observar o que se segue e especialmente o que irá passar no circuito interno da tv e daí tirar todas as ilações.

Para finalizar, saliente-se como a própria diretora da escola reconheceu o valor destas iniciativas na apresentação pública do programa das atividades da semana cultural, onde escreveu: «A esta profícua iniciativa assiste uma tríplice motivação: a vertente “formativa”; a vertente “performativa” e a vertente “empreendedora”. É meu entendimento que estas três vertentes aliadas à sustentabilidade fazem catapultar a educação rumo ao desenvolvimento da sociedade tendo por base o novo paradigma que hoje vivemos, devido à pandemia e à guerra na Ucrânia, mas que nos permite desenvolver outras competências e descobrir novas formas de aprendizagem, nomeadamente quanto às diversas formas de encarar a vida e a convivência na sociedade e no trabalho.

Bem hajam pelas iniciativas traduzidas nas múltiplas atividades que têm desenvolvido, algumas das quais aqui plasmadas nesta semana. Só assim podemos levar a bom porto a missão da escola, rentabilizando as sinergias que contribuem significativamente para o currículo oculto dos nossos alunos e promovem e divulgam a escola!»